COLUNA VERTICAL

A cultura da violência

19 | 07 | 2016   22.11H
José Luís Seixas
Esta estranha sucessão de assassinatos em massa que percorreram o mundo na última semana terá na base uma plêiade de motivações que apenas o simplismo admite confinar à política. E uma existe, está devidamente estudada e decantada há muito. As designações são várias. Reconduz-se essencialmente ao “fenómeno mimético”. A perturbação mental pode comportar ímpetos de agressividade extrema. Só a perturbação mental justifica estes comportamentos. Uma pessoa equilibrada – com a atitude que o conceito admite – sabe distinguir o bem do mal e não ultrapassa os limites últimos que a convivência cívica impõe. Se a debilidade no discernimento existe, o “espírito dos tempos” favorece e exponencia o pior de cada um. Atente-se nas programações televisivas, nos jogos de computador, no próprio cinema a eleger como tema maior fenómenos de violência extrema, criando histórias e imagens sinistras, centradas ou na figura de vampiros, ou de psicopatas, ou de homicidas em série. Considere-se a desestruturação familiar e a parentalidade absentista. Adicione-se a escola sem autoridade, pasto de brutalidades várias. Sinalize-se um multiculturalismo falhado gerador de marginalizações de todos os matizes. Em consequência, a capacidade de discernimento entre o bem e o mal dilui-se. Uma sociedade sem valores é uma mina pronta a explodir. Ninguém pode fugir das responsabilidades que, individual ou colectivamente, lhe cabem. O barril de pólvora em que vivemos não se confina ao daesh. Pior ainda. O daesh, ou outros movimentos terroristas, de um e de outro lado, alimentam-se de tudo isto. Não basta, pois, chorar lágrimas pias. Importa por cobro a esta cultura da violência que nos é oferecida diariamente pelos telejornais e laborada a jusante como produto de entretenimento.
© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE