COLUNA VERTICAL

PR a mais?

06 | 09 | 2016   22.30H
José Luís Seixas
Discute-se muito a proactividade do Presidente da República (PR) e a sua omnipresença no espaço público e mediático. Marcelo está, efectivamente, em todo o lado. Em todo o lado deixa mensagens, explícitas ou subliminares, marca a agenda, domina a opinião. Dizem muitos comentadores que esta exposição é excessiva, protege o primeiro-ministro e retira espaço à oposição. Não creio. Desde logo, porque a agenda presidencial, pela primeira vez em muitos anos, tem nexo e faz sentido. Não é fruto do acaso nem decorre de uma insaciável sede de notoriedade. Ela preenche um vazio através de um discurso que não é só retórico, mas tem uma eloquência maior no diálogo directo com a sociedade. O País sente, crescentemente, que tem ali alguém confiável e que o pode socorrer. No meio de um deserto pavoroso, onde o Governo se resume ao Dr. António Costa e a um acervo ministerial indistinto e sem peso, a oposição se esgota em alocuções repetitivas e ignoradas, sem chama nem convicção (apesar do esforço do CDS em tentar dissociar-se desta letargia perigosa), e o que resta (BE e PCP) aprisionado num nó de incongruências e contradições, dizendo tudo e o seu contrário, numa esforçada e sofrida justificação de tudo quanto Costa diz ou faz. Como pano de fundo, o Estado parece exaurido, a banca depauperada e desacreditada, a economia em anemia e o País à beira do abismo. Por isso, ter um Presidente que vai serenamente avisando sobre o futuro, sem dramatismos, mas assertivamente, com gestos genuínos de afectividade, como que dizendo “estarei cá!” é uma bênção. O primeiro teste não demora. Chega com o OE de 2017. O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE