COLUNA VERTICAL

Ainda sobre o livro do Arquitecto Saraiva

27 | 09 | 2016   22.32H
José Luís Seixas
«Nojento», «repugnante», «abjecto». O acervo de epítetos utilizados para qualificar o livro do Arquitecto Saraiva não se esgota. Mão amiga fez-mo chegar por e-mail. Confesso que o li em diagonal, com algum enfado e sem particular interesse. Será, no entanto, um recorde de vendas. A propaganda negativa sugere-o como um ícone do voyeurismo político. E a curiosidade não se aquieta com facilidade. O livro, apesar de tudo, ou sobretudo, deveria merecer uma reflexão muito séria sobre a relação pútrida feita de conúbios e troca de favores, de dependências recíprocas, de ligações obscuras e conexões inqualificáveis entre a classe política, jornalistas e os vários poderes. O retrato do país que somos há duas décadas e que se retém da sua leitura, esse sim, é «nojento», «repugnante» e «abjecto». É o de um País dominado por uma elite integrada por muita gente pouco recomendável que se vende por pouco, sem honra nem dignidade, que tudo faz para atingir objectivos nem sempre próprios. Este grupo que frequenta a mesa dos poderes e que se alimenta de um gigantesco ensopado, cujo condimento central é o povo enganado pelo que lê, pelo que ouve e pelo que lhe vendem. O livro do Arquitecto Saraiva – homem ao tempo todo-poderoso, porque director do insuspeito e referencial Expresso – é, pois, piramidal para uma análise da degenerescência da democracia portuguesa e para percebermos ao que chegamos e como chegamos. Tanta crítica cheira a perturbação. E, como diz o povo: quem não se sente… O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
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