HORA BOLAS

O mínimo do Máximo

16 | 10 | 2016   21.08H
João Malheiro

Adivinho a polémica, vaticino a contestação. O Jorge Máximo, que conheço há quase um quarto de século, é gente boa. Esse mesmo, aquele taxista que proclamou, no calor da luta dos taxistas, com borrões desnecessários, que “as leis são como as mulheres virgens, são para violar”. A afirmação é tacanha, justifica a crítica, legitima a censura.

Acontece que estamos na era da imagem, da informação massificada, do comentário chegante. O País, sobretudo nas TV e nas redes sociais, arrasou o Máximo. Só que a esmagadora maioria das críticas, porventura a totalidade, foram proferidas por gente que não o conhece pessoalmente, que ignora os seus ideais e, não menos importante, a sua iliteracia.

O Jorge disse o que disse, mas não disse o que queria dizer. Disse de forma precipitada uma verdadeira atoarda, mas jamais quis ferir qualquer susceptibilidade numa matéria tão delicada. Ele é mesmo assim. É um bom comparsa, pratica a honestidade, mas debita à moda da tasca da esquina. Sem constrangimentos, sem a perceção da gravidade ou do juízo de uma boca que se afaz ao pior ou ao melhor.

Eu conheço o Jorge Máximo. Conheço-o ao máximo. Pronuncio-me com o máximo de agnição. Porque é um carismático adepto do Benfica? Fosse do Sporting, fosse do FC Porto, não alteraria o avaliamento. É um homem de origens humildes, de parcos expedientes culturais, que nunca deveria ser julgado como se tratasse de um apreciado intelectual.

O Jorge teve o azar de falar para a televisão, esquecendo-se que não estava num qualquer botequim, aonde não há limites opinativos, por norma até no mais vernáculo que a língua consente. Descansem todos, todos mesmo. O Máximo roçou o mínimo do bom senso, mas é o máximo paradigma de um povo que muitos dizem, hipocritamente, admirar. Isso é que é mesmo o máximo.

© Destak
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