OPINIÃO

Um discurso híbrido

02 | 11 | 2016   22.29H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Não é fácil analisar de forma fria o discurso de Bruno de Carvalho porque, lá está, nada ali é muito frio ou absolutamente coerente. De manhã, o presidente do Sporting lida com segurança e garra com o mau momento desportivo do clube, que não arranja maneira de ganhar sem Adrien Silva. Defende de forma férrea o seu treinador, deixa mensagens de apoio ao grupo de trabalho, elogia os métodos de treino, fala em anos passados em que foi possível recuperar, sem nunca entrar em euforias ou discursos de raiva e, mais importante, reconhecendo que nem tudo está a correr segundo o plano inicialmente traçado. Ou seja, tudo aquilo que um presidente deve ser: calmo, confiante, um líder. Mas depois chega à hora de falar dos rivais e a coisa claramente tropeça. Na última terça-feira, o feriado dos portugueses foi abalado por uma longa e visceral mensagem do presidente no Facebook, em que dispara contra aquilo que diz serem sportinguistas «híbridos telecomandados a partir de Carnide». Bruno de Carvalho fala em «abutres», atira-se a gente «perigosa» que pulula em Alvalade. Quem sou eu para recusar a ideia que os bastidores do futebol são uma enorme pirâmide de jogos, estratagemas e maquinações, mas face a isso, o discurso da teoria da conspiração, ainda para mais quando se fala de assuntos internos ao clube, não ajuda. Entre a calma, a confiança e o discurso de disparar para todos os lados, também há aqui algo de híbrido. A guerra entre Benfica e Sporting não vem só de um lado, claro. Atiram-se granadas dos dois lados, quando no fundo, tudo o que queremos é ver futebol. Desculpem-me, sou um pouco naïf.
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