COLUNA VERTICAL

Grande Costa

08 | 11 | 2016   23.18H
José Luís Seixas
Não há semana sem mais uma “trapalhada” governativa. Desde as falsas licenciaturas – tema costumeiro em governos socialistas (vide casos Sócrates e Vara) – às confusões orçamentais, passando pela história das “cativações” e das decorrentes falhas na prestação de serviços básicos às populações, tudo eloquentemente rematado no romance da CGD que terá um epílogo digno, seguramente, da mais criativa dramaturgia. Porém, por entre todos estes acidentes e incidentes, o Governo passa, com leves remoques dos seus aliados e alguma verberação de uma oposição agrilhoada ao seu passado e aos rostos que o protagonizaram. Os ministros desempenham papéis menores, aceitam ser corrigidos e contraditados por secretários de estado, parecendo não ter nem existência nem luz próprias, com poucas e honrosas excepções. Até a ministra da Justiça que, embora muito discreta nas funções, é uma magistrada respeitada e respeitável, nos presenteia com o registo absolutamente inusitado num Estado de Direito de, mantendo-se como ministra, tomar posse como Juíza Conselheira do Supremo Tribunal de Justiça. Não que a sua carreira não merecesse o provimento. Ao contrário. O que se não entende é como este ocorre em pleno exercício de funções governativas. Enfim, um pontapé no princípio da separação de poderes que o Conselho Superior das Magistratura secundou e ninguém censurou. Este governo, com tanta confusão gerada, tantos casos de evidente impreparação e incúria, vai passando serena e pacificamente, sustentado pela habilidade do primeiro-ministro que conquistou a esquerda e a silenciou, congelou a direita numa retórica da qual esta parece não saber nem querer sair e consegue o milagre de aparecer ao País como se nada tivesse a ver com as insuficiências da equipa a que, por acaso, mas só por acaso, preside. Grande Costa! O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
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