HORA BOLAS

A Luena em cena

13 | 11 | 2016   20.42H
João Malheiro
Ela é bonita, muito bonita. Ela tem ideias, múltiplas ideias. Ela está atenta, demasiado atenta. Ela revela preocupações intelectuais, educacionais, socias. Ela, na casa dos 20, espreita o mundo numa casa que, sendo a sua casa, é uma casa mais elevada, mais alçada, mais colorada. É casa melhor casa que outras casas, porque é casa mobilada de causas. Com o pai dela, da Luena, tantas e tantas vezes, ripei na rapaqueca. Aconteceu na Antena 1 e na TSF. O Jorge Perestrelo foi um inovador no relato desportivo radiofónico. Emprestou-lhe a macumba africana e o samba brasileiro, tudo numa locução rimada, arrebatada, desejada. A Luena não conhece o vocábulo demissão ou, porque até conhece, não pratica semelhante aberração ou abstração. Entregou-se ao jogo da vida com vontade de ser titular, de transformar, de conquistar. A Luena defende a sua geração, combatendo a sua geração. Não percorre as avenidas da futilidade, as ruas da inanidade, as veredas da nugacidade. A Luena tem uma expressão linda que dá mais sedução à sua convicção, tem uma dicção apurada que dá mais atração à sua persuasão, tem uma inteleção compenetrada que dá mais inclinação à sua razão, tem uma atenção descomedida que dá mais instigação à sua retidão. A Luena não se denega, não se pode denegar. A Luena estima-se, só se pode estimar. A Luena não está só, mas talvez lhe faltem mais cúmplices a provar que o novo derrota, inexoravelmente, o velho. Vivemos na sociedade da imagem, da jactância, do consumismo. Os velhos ditaram a lei, os novos deveriam renegá-la. A Luena renega e rega a vida com a regra da entrega. A práticas valiosas, a valias preciosas, a quimeras deliciosas. O Jorge, o meu amigo Jorge, fez-nos herdar o seu mais impagável relato vivo. A Luena não é só bela, a Luena também é sentinela.
© Destak
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