OPINIÃO

Túneis

16 | 11 | 2016   21.43H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Historiadores do nosso futebol, um pedido desta vossa escriba: nas vossas próximas edições de livros, almanaques, etc., criem um capítulo só para túneis. O túnel, esse local esconso, escuro e fechado onde mimos se trocam, bofetadas se infligem e insultos se lançam. Esse sítio onde campeonatos se podem decidir, onde as contas se acertam. No fundo, aquele corredor onde o nosso futebol acontece, porque de bola a rolar no verdejante relvado, disso tenho ouvido pouco. Nem a Seleção, nem mais dois golos de Ronaldo, nada disso bate uma boa escaramuça dentro de um túnel. Espero que o arranque de mais uma eliminatória da Taça de Portugal nos faça voltar ao jogo jogado porque entre a barba do Jonas, o cigarro eletrónico de Bruno de Carvalho e Jesus a citar Confúcio, sinto-me um pouco como nas férias de verão quando era criança, em que ligava a televisão e só me apareciam repetições. É difícil olhar para a televisão e não levar com um banho de túnel. Por esta hora, já sei de cor todos os movimentos de pés de Carlos Pinho, o corte dos fatos de todos os envolvidos, os jogadores que estão na parede e a marca do cigarro eletrónico do presidente do Sporting, que se diz em pleno safari. O futebol português é, de facto, uma coisa meio irracional e preferia algo mais prático. Por exemplo, os diretos de Arouca são giros, mas preferia se estes me indicassem o melhor local para comprar pão-de-ló ou castanhas, informação bem mais relevante do que dois homens crescidos aos empurrões. É só uma ideia.
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