OPINIÃO

O que é que Coentrão tem?

23 | 11 | 2016   22.15H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Lembram-se de 2010? Já lá vão seis anos, é certo, mas recordo-me bem. Fábio Coentrão era um miúdo de 22 anos, era o lateral-esquerdo do Benfica, uma daquelas adaptações de Jorge Jesus que correm muito bem (foram algumas), e foi uma das revelações do Mundial da África do Sul. Basicamente, tinha o Mundo a seus pés. Em 2011, o português seguiu para o Real Madrid e, com José Mourinho no comando, não perdeu o fogo. Quase sempre titular, foi campeão logo no primeiro ano em Madrid. Mas, a partir daí, aquele que foi em tempos um dos mais promissores laterais-esquerdos do Mundo e titular indiscutível da Seleção Nacional, resvalou sabe-se lá para onde. Entre as lutas de poder no clube da capital espanhola, problemas físicos, um empréstimo ao Monaco e uma lesão muito grave, hoje Coentrão é um jogador desencontrado, para não dizer meio perdido. Ele próprio sabe disso. Depois daquele penálti quase pândego frente ao Sporting, Coentrão, abriu o coração, com uma honestidade e transparência raramente vista em jogadores de futebol mais preocupados com o parecer do que com a realidade. “Foi um erro muito grave da minha parte”, confessou, antes de falar aos jornalistas do sofrimento que passou no último ano: “Voltei, mas as coisas não me estão a sair bem. Posso dizer que me sinto triste, mas o que posso fazer é trabalhar para ver se muda alguma coisa. Não estou bem assim.” Faço a minha vénia a Coentrão, porque mostrar fragilidade e impotência não costuma estar nos cânones dos desportistas. Mas, eu, fica a lembrança que eles são humanos como nós, com momentos bons e maus. E aos 28 anos, Coentrão está longe de estar acabado.
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