HORA BOLAS

O Toni (bem) aqui

18 | 12 | 2016   22.53H
João Malheiro
Pois é, é mesmo. A clubite exacerbada e doentia tem destas coisas. O Benfica derrotou o Sporting na Luz. Inquirido na televisão, Toni, ao que julgo saber, terá dito que o árbitro deveria ter marcado uma penalidade máxima contra a formação de Rui Vitória, sem embargo de sublinhar a satisfação pelo triunfo vermelho. Bruno de Carvalho, no rescaldo prolongado do dérbi, citou Toni. Nada, mesmo nada, em desabono, fez aquilo que achou melhor para defender as suas cores e os seus azares ou os seus augúrios. Reportou-se a Toni, porque lhe deu jeito, mas fez o que fez concitando amores no Sporting e desamores no Benfica. A competição, entenda-se, também passa pelas palavras. Pior, isso mesmo, muito pior, foi eu ter recebido vários telefonemas de benfiquistas a criticarem Toni, foi ouvir vários benfiquistas, cara a cara comigo, a criticarem Toni. Como é possível? Toni tem uma folha de serviços inestimável ao Benfica. Anos, tantos anos, de afeição, de apego, de amor. Toni, entre outras sécias, é intelectualmente honesto. E isso fica bem ao Benfica. Sou testemunha da devoção de Toni ao Benfica. Ama o clube como poucos, como quase nenhuns, ademais com copiosos sucessos. Mas também ama a cultura competitiva e não se exonera de opinar com probidade, integridade, honorabilidade. O futebol é o espelho do País. Tem tanto de arrebatador como de anedótico. Toni merce a magistratura encarnada. Na esteia de Eusébio, de Coluna, de Simões, de Chalana. De todos os grandes. É tão franco que reconhece ter sido, na infância, adepto do Belenenses e do ídolo Matateu. E de se ter convertido, entusiasticamente, à causa benfiquista. Para sempre. Cartão vermelho para Toni? Não, de todo. Cartão vermelho para a tarouquice. Vermelha que seja ou que não seja.
© Destak
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