OPINIÃO

Castells e a decadência do projeto da Europa

20 | 12 | 2016   21.36H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)
Decido voltar aos temas debatidos pelo prof. Manuel Castells, que esteve recentemente nas Conferências de Gaia, por considerar a sua visão esclarecedora dos principais acontecimentos do nosso tempo. O retrato que faz da situação atual da Europa, por exemplo, é contundente: “Na Europa, começa a desenvolver-se um terror generalizado. As pessoas têm medo de islâmicos, homossexuais, emigração. Têm medo de tudo e a solução encontrada é colocar um polícia no Governo que não deixe entrar quem é diferente. É a negação da realidade que pode conduzir a verdadeiras catástrofes.” Castells considera, assim, que o acentuar dos nacionalismos na Europa é um sintoma dramático dos tempos que vivemos e um perigo para a vida das democracias, que se pretendem saudáveis. Ao mesmo tempo que o mundo se abre ao mundo em redes globais de partilha, encontramos o desejo de fechar fronteiras e de construir muros que impeçam o outro e a diferença. Com efeito, diz Castells, “como projeto de valores, de integração e de moral, a UE está condenada. Foi um projeto maravilhoso nas ideias, mas não era democrático. Os cidadãos europeus nunca foram verdadeiramente consultados.” Uma consequência visível é o Brexit, que demonstra a rejeição de um projeto comum para a Europa e cujos efeitos são ainda incertos. O medo e a insegurança generalizados começam a invadir a política da Europa e do Ocidente, e o resultado desse medo é sempre a frustração da liberdade e da democracia e a acentuação dos radicalismos. Agora que Trump foi eleito 45º presidente dos EUA e novos laços terão inevitavelmente de se estabelecer com a Europa, é o momento para repensar o projeto e encontrar novas linhas com que se costure a narrativa de uma comunidade europeia unida.
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