COLUNA VERTICAL

O pontificado de Francisco

20 | 12 | 2016   21.39H
José Luís Seixas
Em pleno Advento, o mundo foi abalado pelo que muitos viram como a proximidade do fim do Pontificado do Papa Francisco. Um canal de televisão privado italiano exibiu há uma semana o documentário Papa Francesco: come Dio comanda, no qual são recordados os episódios mais marcantes protagonizados pelo Papa, excertos das suas intervenções públicas e algumas gravações de conversas – numa admite que o seu pontificado será breve e não ultrapassará «uns quatro ou cinco anos». Sendo certo que estas declarações não são novas, a sua recordação em “tempos de vésperas” é dolorosa. Na verdade, todos vamos tendo a percepção de que o mundo se tornou “presa da desordem”. A multiplicidade dos sinais não é de hoje, mas hoje todos se agravam e muitos se confirmam. No meio do denso nevoeiro a Igreja, sob o pontificado de Francisco, erige-se como uma luz de esperança, chamando a atenção para o essencial: «o Homem como ser único e irrepetível», utilizando a expressão de João Paulo II. Esta coragem heróica do Papa Francisco de não se afastar da essência da mensagem de Cristo, reconduzindo a Igreja ao seu reduto fundacional e transmitindo a mensagem de um Deus misericordioso que a todos ama e perdoa, é um bálsamo que tranquiliza as nossas almas perante o diário espectáculo destes tempos sem valores, sem tolerância, sem amor e sem liberdade. Por isso, a recordação do aviso sobre a brevidade do seu pontificado assumiu o eco que a imprensa mundial lhe atribuiu, embora, estranhamente, sem réplica em Portugal. E criou, nestes momentos de preparação do Natal, uma acrescida preocupação a todos os homens de boa vontade que assistem atordoados à desagregação dos factores de paz, de concórdia e de solidariedade que perduraram nestes últimos lustros. O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
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