OPINIÃO

Adeus sentido a Mário Soares e a Guilherme Pinto

10 | 01 | 2017   23.40H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)
Para Sócrates, o sábio grego, a mais radical ocupação de um filósofo é aprender a morrer. Depois deste fim de semana em que vimos partir duas distintas personalidades do nosso panorama político, Mário Soares e Guilherme Pinto, só nos resta esperar que a filosofia nos ensine também a ver morrer. A morte não se compreende. Resigna-se. Valha-nos que não nos leva as memórias e a história da gente. E há gente que fica na história da história da gente, canta Mariza. Que posso eu, humildemente, acrescentar ao que tem vindo a ser dito sobre esse vulto da cultura nacional, um dos mais altos “culpados” por sermos quem somos hoje e por termos o que temos hoje? Falar do Portugal contemporâneo é falar de Mário Soares e vice-versa; e ele que dizia que apenas iria ficar como uma nota de rodapé num livro _de história… A nossa história sem ele seria outra coisa, ele é parte da nossa identidade coletiva. Sem ele seríamos outros, e agora que ficamos sem ele sentimos que ficamos mais desprotegidos e indefesos como crianças que perdem o pai. Guilherme Pinto, além de homem de grande luta e de grandes ideias, foi também um amigo, um bom amigo. Matosinhos cresceu imenso e bem com ele, os seus projetos sempre revelaram consistência e a existência de uma visão profunda do mundo e um sentido de missão em direção a um lugar melhor para viver. Ambos marcaram indelevelmente o nosso futuro, nos seus passos encontramos rumo e inspiração para as nossas vidas como pessoas, como portugueses e como cidadãos do mundo. Vê-los partir é de uma tristeza insanável, mas podemos sempre contar com as inúmeras histórias, palavras, gestos que agora nos acorrem à memória e que desalinhadamente tentam preencher o vazio que aqui se sente.
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