OPINIÃO

Preocupações orientais

11 | 01 | 2017   22.36H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Para já, apenas estamos de boca aberta. Mas, mais dia, menos dia, talvez comece a chegar a preocupação. Primeiro foi Ramires, depois Jackson e Alex Teixeira. Seguiu-se Hulk. E agora Oscar e Carlos Tévez. Todos eles foram contratados por clubes da Superliga chinesa, o novo Eldorado do futebol mundial. Longe de serem pré-reformados, todos estes jogadores fizeram as malas para jogar num campeonato pouco competitivo, mas que ao fim do mês paga salários que na Europa estão reservados a gente que se chama Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi. Carlos Tévez, só para dar um exemplo, vai ganhar qualquer coisa como 37 milhões de euros por ano para jogar no Shanghai Shenhua. Nunca algum jogador de futebol ganhou tal exorbitância. Oscar, brasileiro de 25 anos, passou de suplente no Chelsea a estrela no Shanghai SIPG, a ganhar quase 25 milhões por ano. Coisa pouca. Dinheiro é coisa que não falta na superpotência industrial que é a China. E, à falta de regulação (apesar de o governo chinês já ter expressado receios com a vaga milionária de contratações), o mercado vai sofrer. Com a China a inflacionar o valor de jogadores que são bons, mas não absolutos craques, o valor dos melhores do Mundo terá também obrigatoriamente de subir. E isso significará salários mais altos e contratações cada vez mais milionárias. Não tarda, os clubes europeus ficarão reféns: com as equipas chinesas a pagarem altos salários, muitos jogadores puxarão a corda na hora de renovar o contrato, usando a cartada de uma proposta chinesa para subir os valores. É uma questão de tempo.
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