OPINIÃO

Obrigado, Mário Soares

11 | 01 | 2017   22.38H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Portugal despediu-se de Mário Soares agradecendo-lhe a sua vida, as suas causas e todas as suas conquistas. Figura máxima da nossa democracia, foi um dos maiores líderes europeus do século XX. A repercussão da sua morte nos órgãos de comunicação social de todo o mundo deu-nos a dimensão da figura internacional que Soares era e representava. Fez parte de uma geração fascinante de líderes europeus. Teve uma vida plena e viveu momentos únicos. A minha geração tem em Soares um exemplo de coragem pelos seus tempos de resistente antifascista e de preso político, de confiança pela sua convicção inabalável num Portugal democrático, de visão pela fundação do Partido Socialista e pela adesão de Portugal à CEE, de força pelo seu papel na afirmação da Liberdade e da Democracia em Portugal, de responsabilidade pela forma como assumiu a condução do país em momentos de crise profunda, de inspiração pela forma como se bateu pelos seus valores e venceu eleições que pareciam perdidas à partida e de tolerância porque soube respeitar as diferenças, unir os portugueses sem nunca diminuir as suas convicções. Mário Soares é sinónimo de liberdade. Depois de assumir os mais altos cargos nacionais, manteve a sua participação e sempre se fez ouvir em momentos relevantes. Recordo-me de um episódio quando eu e outros jovens deputados do PS divergimos da posição oficial do partido sobre a ratificação do Tratado Orçamental. Soares fez questão de nos ouvir, partilhar as suas ideias e de assumir publicamente a sua opinião contra a ratificação do tratado. Apesar da diferença etária, sentimos por ele uma proximidade ideológica e politica que só sentíamos entre nós. Mário Soares deixou-nos um enorme legado e a responsabilidade de o mantermos vivo.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE