HORA BOLAS

Pontos e tontos

15 | 01 | 2017   22.34H
João Malheiro
Foi uma dupla vitória em Guimarães, essa mesma, a cidade sinónimo de conquista. Deu muito vermelho. Vermelho sedutor, vermelho tentador, vermelho matador. Todos espreitaram no calendário das batalhas subsequentes. Cinco jogos na arena da Luz, um para a Taça de Portugal, quatro para o Campeonato, de permeio apenas uma deslocação a Setúbal. A contabilidade estava feita, muitos pontos, o pleno de pontos, nenhum ponto de interrogação. No futebol, só dão pontos antecipadamente garantidos os tontos. Logo no primeiro embate, com Luz transbordante de otimismo, um débil Boavista chegou aos 0-3, castigando os sonsos, aqueles que não entendem a bola sem tola, a bola sem carola. Só que essa bola existe. Existe e persiste. Fura previsões, castiga premonições, pune intuições. O Benfica até empatou, até poderia ter chegado ao triunfo. No anfiteatro rubro, a meu lado, faltava ainda uma vintena de minutos, até Luís Felipe Scolari prognosticava a tomada encarnada, tal a torrente de bola ofensivamente amontoada. Não resultou, foram dois pontos esbanjados, dois pontos malbaratados. De seguida, em Chaves, o Sporting mitigou a trama, sem a vitória como arma, antes um empate que soube a drama. Numa história centenária, o Benfica nunca foi tetra. E não era treta ser tetra. Ou penta, mesmo hexa, inclusive hepta. Viviam-se os tempos de Eusébio, de Coluna, de Simões, de José Augusto, de Germano. Mais tarde, também, de Jaime Graça, de Nené, de Humberto Coelho, de Bento, de Chalana, das maiores constelações de estrelas que alguma vez se viram nos recintos domésticos. Vai ser esta temporada? Penso que sim. Mas o itinerário vai ser alvoraçado, vai ser sobressaltado. No Benfica existe muita habilidade, muita qualidade, muita capacidade, mas tem que embargar o alarde e interditar a vaidade.
© Destak
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