HORA BOLAS

Vaidade ou Humildade?

22 | 01 | 2017   21.45H
João Malheiro
Só posso falar de lisonja, de prazenteio. Tinha e tenho uma admiração professada pelo ator Ruy de Carvalho. Admiro a sua capacidade de representação, não menos o porte sereno que empresta à vida e a quem o rodeia, não menos ainda uma lepidez contagiante. Há dias, acompanhado pela também não menos ofuscante Eunice Muñoz, cujo texto que escreveu para a minha biografia do eterno Eusébio guardo no canto emocionado da memória, estava eu também magnificamente escoltado pelos meus amigos António Victorino d’Almeida e Toni, quando Ruy de Carvalho se me dirigiu, tecendo gabos aos textos que aqui escrevo e que me confessou ler com regularidade. Sem falsa despretensão, senti uma espécie de complexo de pequenez, quando era suposto que dilatasse o ego. O motivo? A ordem dos fatores, naquele momento, tornou-se arbitrária, demasiado arbitrária. Era a mim que se impunha a loa. Só poderia ficar à toa. Contei o episódio a algumas pessoas, sinetado com um misto de gala e de chaneza, também de candura. Ouvi comentários estimulantes. Dois dias depois, num outro cenário, com o Paulo Gonzo, a Fafá de Belém e três amigas com atributos dignos das maiores criações da Natureza, escutei as palavras dedicação, devoção e consagração. Claro que as troquei, num exercício simples, por amizade. Pelo meu pacto indelével com a verdade. Afinal, o que é a felicidade? Afinal, o que é ser feliz? É estar rodeado de gente capaz, de gente criativa, de gente bonita. De gente que nos examina com o aguçado sentido da convicção do amigo que nunca abandona, do amigo que nunca perjura, do amigo que nunca trai. Definitivamente, o meu maior património não é material, o meu maior património é humano. Gosto tanto de pessoas, seja mais ou menos reconhecido o meu lado produtivo, que já não sonho, só pratico.
© Destak
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