HORA BOLAS

Último golo do Eusébio

29 | 01 | 2017   23.56H
João Malheiro
Vinte e cinco de janeiro. O calendário marca, e a data é distintiva, é etiqueta, é praxe. O dia de aniversário do Eusébio, do maior de sempre. Foi assim, é assim, será assim. No dia em que o rei faz anos (verdade, Zé?) há arraial e foguetes no ar. Melhor, havia. Já não há. O rei continua a fazer anos, mas não está cá. Acabou a festividade, começou a saudade. Em 2014, tinha ele partido poucos dias antes, num tributo que organizei em sua consagração, o meu amigo Cid abriu o jogo da emoção, tal como o também meu amigo Paulo Gonzo, último músico a almoçar (na minha presença) com o Eusébio, haveria de encerrar esse jogo da memoração. A 25 de janeiro, anos consecutivos, quase uma trintena, vivia e curtia o dia da carícia, da delícia, da letícia. Estive sempre com o Eusébio, imbuído do espírito de missão, de emoção, de consagração. Agora, como na pretérita semana, convidado pelas televisões, exibo abatimento, constrangimento, tormento. Que dizer, de novo, sobre o Eusébio? Já proferi dezenas de intervenções, já escrevi ainda mais dezenas de textos, já conversei muito mais dezenas de vezes sobre as nossas cumplicidades, verdades, realidades. Mas há sempre algo mais para divulgar. Por exemplo, no registo não oficial, qual foi o último golo do Eusébio? Será que alguém sabe? Eu estava lá. Viajei com ele para o México, disputava-se o Mundial de Futebol Rápido, especialidade inexistente em Portugal. O Eusébio era um dos treinadores do combinado nacional. Com 57 anos, numa das partidas, discutida num pavilhão que havia servido de albergue às Olimpíadas de 1968, o Eusébio decidiu entrar, para gáudio da multidão. Fez um remate fulminante que deu golo a Portugal. O seu derradeiro acabamento vitorioso. Saímos abraçados, até tenho uma foto que o documenta. Ele sorriu. Eu sorri e chorei.
© Destak
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