OPINIÃO

As razões de uma Carris municipal

01 | 02 | 2017   22.21H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Esta semana, é marcada pela passagem da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa. Quais são, afinal, as vantagens de a Carris ser gerida pelo município em vez de ser gerida a nível supramunicipal ou nacional? Em primeiro lugar, o município de Lisboa disponibilizou-se a investir 15 milhões de euros por ano, com os objetivos de renovar a frota, alargar a oferta – através da criação de mais linhas de transporte nos bairros, diminuir o preço dos passes para cidadãos com mais de 65 anos para os 15 euros e tornar o transporte gratuito para todas as crianças até aos 12 anos. Além disto, pretende-se melhorar a mobilidade dentro do concelho, sem pôr em causa a sua integração na área metropolitana. As linhas da Carris que hoje existem fora do concelho de Lisboa não serão postas em causa e o município de Lisboa terá a polícia de trânsito e a gestão do espaço público a garantir o aumento da velocidade comercial da Carris. Serão construídos mais parques de estacionamento, tendo em vista a diminuição do número de carros a circular, e a EMEL alargará a sua atividade a toda a cidade, motivando uma maior utilização dos transportes públicos. Por último, o município de Lisboa, ao colocar a Carris como operador interno, consegue, cumprindo as regras europeias, que este serviço de transportes permaneça público. No caso da Carris não passar para o município, não estão garantidos os investimentos no aumento da oferta ou na melhoria da qualidade do serviço, nem os descontos nas tarifas. Quem defende o rápido aumento do número de passageiros e da qualidade do serviço percebe a importância desta decisão. Não é por acaso que a maioria dos lisboetas e a quase totalidade dos trabalhadores da Carris pretende a municipalização.
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