HORA BOLAS

Elasticidade Democrática

05 | 02 | 2017   21.07H
João Malheiro
A rotina é diária. Ao meu despertar segue-se, numa curta fração de tempo, o despertar do computador. Alguns minutos, cada dia, manhã cedo, que o meu registo há muito é solar e não lunar, permitem-me abrir a jornada quotidiana na posse das ferramentas mais preciosas da atualidade, da política ao desporto, também do social. Há dias, tinha um alerta, que estimulou a minha curiosidade. “Malheiro fala de homossexualidade e volta à polémica”, era o título de um trabalho que li e concluí tratar-se de qualquer coisa de sórdida, desde logo porque truncada, com expressões não contextualizadas e comentários perniciosos. Limitei-me a dizer que a bissexualidade feminina é um fenómeno em crescendo na sociedade portuguesa, sobretudo nas novas gerações. Não o disse em tom minimamente crítico, quanto mais não fosse porque o mote era a minha amiga Sofia Aparício, antes suportei a declaração em múltiplos testemunhos de pessoas com quem me relaciono e com quem me apraz cavaquear sobre as sensibilidades de pessoas dum escalão etário que já não é o meu. Para que conste, de forma mais abrangente, depois de copiosos depoimentos, aqui deixo, em letra de forma, que fui a favor da despenalização do aborto, da legalização do casamento de homossexuais, da adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo. Já agora, tenho o ensejo de antecipar o meu apoio à legalização da eutanásia e até de casamentos bígamos, matéria que nem está nas agendas mais hodiernas. A minha condição de heterossexual convicto e não menos inabalável, está longe de me subtrair cultura democrática, fervor pelo exercício de liberdades individuais, por muito que não figurem no meu cardápio de conduta social. Refuto a hipocrisia e aprecio opiniões de cara exposta. Dou sempre a cara mesmo que a matéria possa ser cara.
© Destak
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