OPINIÃO

O calendário eleitoral do CDS de Cristas

08 | 02 | 2017   22.04H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Seria o CDS capaz de apresentar propostas apenas por estarmos próximos de eleições? Será que Assunção Cristas aguenta a pressão de ser candidata a Lisboa sem recorrer a eleitoralismos? Será que estão à altura das críticas que apontam aos outros? Como se recordam, Assunção Cristas foi ministra do anterior Governo e entre outros “feitos”, foi responsável por alterar a Lei do Arrendamento e o Regime de Obras em Prédios Arrendados. Um dos resultados destas leis, já na altura previsível, foi a desproteção do comércio tradicional. Muitos comerciantes sentiram-se obrigados a celebrar novos contratos de arrendamento, com termos muito curtos, ou não tendo chegado a acordo com os proprietários, recorreram ao curto período transitório previsto na nova Lei. O resultado é conhecido, estão agora a receber cartas de despejo. Outra razão dos despejos deve-se ao Regime de Obras em Prédios Arrendados permitir, no caso de obras profundas, que o proprietário decida a não continuidade dos espaços e dos contratos das Lojas, independentemente da sua relevância histórica. Tudo isto teve e continua a ter graves implicações no centro histórico de Lisboa. O atual Governo e a nova maioria parlamentar vão apresentar propostas para proteger as lojas históricas, que ainda conseguem subsistir, e estão na fase final de discussão, tendo em vista alterações legislativas. O CDS, a 9 meses das eleições e com a sua líder como candidata a Lisboa, vem agora apresentar propostas de alteração às Leis de Assunção Cristas para fingir que quer proteger o que não protegeu quando as redigiu. Será arrependimento ou oportunismo? Estará relacionado com o calendário eleitoral do CDS? A resposta é demasiado óbvia. A coerência do CDS pode medir-se e constatar-se pela capacidade de ser contra a “taxinha” turística de Lisboa mas estar ao lado da taxa turística de Cascais, onde está no executivo.
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