OPINIÃO

Problemas de expressão

08 | 02 | 2017   22.07H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Um jogador de futebol não tem de ser uma florzinha de estufa ou um ser protegido de toda e qualquer crítica, mas o bom senso nunca é demais na hora de apontar o dedo. Coisa que, mais uma vez, Jorge Jesus não se lembrou. O treinador do Sporting nunca foi exatamente conhecido pela sensibilidade para as palavras (nomeadamente na hora da derrota) e a entrevista rápida que se seguiu à derrota de sábado no Dragão é só mais um exemplo no bouquet de momentos, digamos, imprudentes. Após um dos jogos mais importantes do ano dizer que um jogador, ainda para mais um jovem a fazer apenas o seu segundo jogo pelo Sporting, se «perdeu na primeira meia hora» e que isso foi «fatal» para a equipa é, no mínimo, precipitado. Dizer que o Sporting «pagou» por utilizar tantos jogadores da formação é nova argolada. É claro que dizer que Palhinha «não levou o guião certo para se poder enquadrar com aquilo que estava a acontecer» pode até ser um mea culpa de Jesus, mas tendo em conta o historial, é difícil saber se Jesus estava ou não a assumir os seus erros. Pelo sim, pelo não, mais vale o técnico do Sporting ser mais claro na hora de se explicar. As palavras de Jesus, mais uma vez, não terão caído bem. Palhinha usou uma rede social para sublinhar que sempre assumiu as suas responsabilidades e, face às críticas generalizadas, a televisão do Sporting já tratou de colocar o miúdo a dizer que fica «orgulhoso pela mensagem de confiança» que o treinador lhe passa e que cada dia se sente mais jogador por causa de Jesus. Tudo num timing muito conveniente, que soa a emendar um erro, fazendo ainda pior.
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