COLUNA VERTICAL

A ditadura das causas fracturantes

14 | 02 | 2017   22.42H
José Luís Seixas
A forma como se vem processando o debate sobre a procriação medicamente assistida e a eutanásia inculcam a percepção de que o espaço da comunicação é policiado – em sentido estrito – por um grupo vasto, politicamente abrangente, com evidentes tendências censórias e inquisitoriais, conformando uma espécie de “guardiões da modernidade proclamada”. A discordância das teses oficiais propaladas sob a capa da “revolução moral” que apregoam e defendem, suportadas nas denominadas “causas fracturantes”, despoletam um chorrilho de insultos que visam intimidar o autor e dissuadi-lo de eventuais propensões apologéticas. No que me concerne, anuncio-o já, estou a marimbar-me para os juízos desse escol sobre o que penso e livremente expresso. Se há uns anos fui objecto de um inventário inesgotável de impropérios quando me confessei heterossexual e católico concebo que o mesmo se repita quando der a conhecer a minha preocupação relativamente à procriação medicamente assistida, ou quando afirmar, sem medo de ser contraditado, que não há criança que nasça sem pai e mãe biológicos, com as características que a genética determinar, ou quando publicamente me inquietar com a constatação de que em causa parece estar, não o direito à vida da criança concebida, mas o direito da mulher a ser mãe, mesmo sem pai conhecido. Admito ainda que me insultem por recusar a eutanásia e por declarar que a vida é feita de tudo, da alegria e do sofrimento, da felicidade e da tristeza, do acto involuntário de nascer e do epílogo ignorado da morte. Hoje, os avanços da ciência médica asseguram a dignidade nesse momento final e a sua preparação sem sofrimento e em tranquilidade, esperando que a vida se complete no seu momento. Desculpem os “guardiões da modernidade proclamada”. Mas é assim que penso. Queiram ou não!
© Destak
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