OPINIÃO

Carta a Tuchel

15 | 02 | 2017   22.25H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Caro Thomas, Eu consigo perceber aquele «O resultado é ridículo» lançado no final do jogo. É um desabafo e hoje em dia, neste mundo em que autómatos vieram tomar conta de futebolistas e treinadores de carne e osso, isso é refrescante. Mesmo. Alguém a dizer o que realmente pensa? Já não há muito. Mas há dias assim. A tua equipa faz exatamente aquilo que pediste: uma equipa à Guardiola com a bola, ou seja, um carrossel de posse que deixa o adversário qual barata tonta a seguir o jogo só com os olhos, e uma equipa à Klopp sem ela, de tal forma pressionante que em menos de nada a bola está outra vez contigo. Mas há dias em que a tua equipa faz exatamente aquilo que pediste e mesmo assim perde. Há dias em que o adversário aproveita uma em duas oportunidades e tu não aproveitas nenhuma em cinco, seis ou sete. E há dias em que o teu melhor jogador falha uma vez, falha duas, três e para compor o ramalhete, ainda falha uma grande penalidade. E tu aí, zangado, reages substituindo-o. Há dias em que o teu rival está abençoado, seja por uma força divina qualquer ou por um guarda-redes sobrenatural, que defende até remates que começaram de uma maneira e acabaram de outra e que surge em frente a adversários qual monstro nos pesadelos infantis. É assim mesmo. O resultado até pode ser ridículo, mas «o futebol é isto mesmo». E é por isso que gostamos tanto dele, mesmo que para isso alguém de vez em quando tenha de sofrer. Outro dia a sorte estará do teu lado.
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