HORA BOLAS

Manga curta

12 | 03 | 2017   22.26H
João Malheiro
Foi com o Benfica, deve ser com o FC Porto, já tinha sido com o Sporting. No patamar maior do futebol no mais antigo dos continentes até pode não faltar pretensão, mas falta decisão, falta aptidão. Neste Portugal que é mesmo campeão da Europa, temos três emblemas superiores para a despesa interior, só que apenas médios para a despesa exterior. Cristiano Ronaldo é o melhor jogador? Onde está? Está em Espanha. Mourinho pode ser o melhor treinador. Onde está? Está na Inglaterra. Nessas e noutras paragens estão outros, muitos outros. Nessas e noutras paragens estiveram e vão estar outros, muitos outros. Paragens que não são tantas assim, mas são as bastantes para nos comprarem o ouro e nos fazerem perder o tesouro. Benfica, FC Porto e Sporting, a diferentes níveis, conseguem desafiar a nova ordem do futebol europeu e até mundial. Desde logo na formação, gerando valores irrefutáveis, numa verdadeira torrente de tributo juvenil. Também na prospeção, suscitando reforços adquiridos a baixa cotação, depois reverenciados a elevada reputação. Benfica, FC Porto e Sporting são motivo de orgulho e regozijo nacionais. Se noutras áreas da sociedade se trabalhasse com a generosidade patriótica do futebol, Portugal seria outro Portugal. Para o bem, jamais para o mal. Benfica, FC Porto e Sporting aumentam a taxa de alegria nacional. Por cá, a compensação não escasseia, só que lá fora a retribuição rareia. A manga é curta para alguns vendavais de Espanha, da Alemanha, da Itália, da Inglaterra. O pior é que a tendência se afigura irreversível, na bola o império do metal é cada vez mais letal. Benfica, FC Porto e Sporting não reúnem, na paisagem contemporânea e decerto futura, requisitos para vencerem uma Liga dos Campeões. O palco está montado para laurear os detentores dos milhões.
© Destak
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