OPINIÃO

Jogos milionários

14 | 03 | 2017   22.08H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)
Ao longo dos últimos anos, temos sido confrontados com sucessivas notícias, más notícias, sobre os gigantescos buracos financeiros nos bancos portugueses. São milhares de milhões de euros que desaparecem. Ou melhor, que, como resultado de empréstimos bancários gigantescos, se vão revelando incobráveis, depois de terem sido destruídos em aventuras empresariais e financeiras. Segundo noticiou, há dias, o semanário Expresso, muitos dos milhões destruídos na Caixa Geral de Depósitos foram distribuídos por meia dúzia de empresários em empréstimos que não vão ser nunca pagos. Isto passou-se, como agora sabemos, em quase todos os bancos. Aliás, a Caixa nem foi o pior caso. No BES, os grandes devedores conseguiram a proeza de gerar mais de 6 mil milhões de euros de crédito duvidoso. Ou seja, não é por um banco ser público ou privado que a proteção dos contribuintes está assegurada. É mesmo um problema intrínseco de regulação, de fiscalização e de detenção atempada destes abusos. Os bancos são fundamentais para o desenvolvimento da economia. Mas não podem ser obstáculos a esse mesmo desenvolvimento. E não podemos assistir a anos e anos de distribuição de lucros fabulosos e prémios extravagantes aos seus gestores e deixar que todo este logro resulte numa pesadíssima fatura para todos os Portugueses, atuais e vindouros. Passaremos décadas a pagar esta conta. Aqueles que propagam as virtudes da austeridade ou a necessidade de reduzir o investimento público, alguns deles expostos agora como grandes devedores incumpridores, raramente se queixam desta vergonha. E este escândalo bancário da última década é, talvez, o maior ataque à prosperidade do País a que assistimos em democracia. Não basta sabermos isto. Não basta, sequer, identificarmos os responsáveis. É preciso que não volte a acontecer!
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