COLUNA VERTICAL

O estado das coisas

14 | 03 | 2017   22.10H
José Luís Seixas
Por maiores que sejam os esforços pacificadores empreendidos pelo Presidente da República, a algazarra em que se converteu o debate político em Portugal – que vai alastrando com as suas deletérias consequências para outros sectores da sociedade – é verdadeiramente lamentável. Desde o Parlamento onde as expressões de cortesia parecem ter sido abolidas e os insultos proliferam com apodos próprios de taberna aos qualificativos utilizados no espaço público sobre actuações, factos ou afirmações sem consideração mínima e comedimento algum pelos visados, o País deixa-se arrastar para um ambiente insano cujos limites não se alcançam e as consequências se temem. Na verdade, embora soe a estranho atento o clamor popular, releve-se que nem todos os políticos são ladrões, nem todos os governantes mentirosos, nem todos os altos dirigentes da Administração imbecis, nem todos os titulares de órgãos de soberania corruptos. Tomar a parte pelo todo é um exercício perigoso. Por isso, os mais sérios, capazes, competentes afastam-se da causa pública e vivem as suas vidas tranquilas fora dos holofotes, sem exposição alguma. Este palco fica, pois, à mercê dos que restam, gerados no seio das organizações partidárias, habituados a servir os amos que lhes asseguram o óbolo, ou dos narcisos embevecidos consigo próprios que assim vertem o seu encanto para benefícios presentes e futuros. Resta um perigoso núcleo. Restrito. Dos que mandam efectivamente utilizando os sabujos e os narcisos e erigindo os seus impérios de influência que alastram por todo o lado. Mas isso será uma história longa que um dia alguém contará. Então conheceremos a raiz da doença que vai minando estes tempos em que nos foi dado viver. Acreditem! O autor opta por escrever de acordo com a antiga ortografia
© Destak
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