INSTANTES

A escuridão veio de repente

20 | 03 | 2017   21.49H
Luisa Castel-Branco
De repente, ficou escuro. Como noite sem estrelas. Casa sem candeeiros. Amor sem sentido. De repente, ficou escuro dentro dela e perdeu o norte, como quem perde a noção de onde vem e para onde vai. De repente, assim de repente, percebeu que estava muito mais só do que se tinha apercebido até àquele momento. Que se estendesse a mão não haveria outra mão do lado de lá, outro ombro, um sorriso aberto ou simplesmente um olhar doce de carinho velho e antigo, tão afável e cómodo como a manta preferida. Foi coisa que lhe aconteceu vinda do nada. Num qualquer dia normal no meio da rotina normal de quem tem uma vida sem história. Igual a tantas outras. Mas foi uma escuridão tão grande que lhe cobriu a alma, o coração, o corpo e todo o espaço da sala pequena onde estava sentada, que pareceu-lhe que iria cair por terra com tanto peso. Mas não. Os dias continuaram, uns a seguir aos outros. As mesmas tarefas. As mesmas conversas. Os mesmos silêncios. Os mesmos passos a calcorrear a cidade. Apanha o autocarro. Corre para o metro. Sobe as escadas. Fica sentada à mesa do guiché. E depois, de volta a casa, todo o caminho ao contrário, como quem roda os ponteiros do relógio em sentido inverso. Porque efetivamente nada acontecera. Só ela estava uns dias, umas horas, uns minutos e uns segundos mais velha. E como daí não vinha mal ao mundo, nem alteração alguma à sua vida, era porque nada tinha realmente existido. Talvez um sonho acordada. Talvez. Mas quem ligou a televisão? Quem acendeu a luz da cozinha? Quem colocou as chaves do lado de fora da porta? Incidentes destes começaram a encher-lhe os dias e ficava queda, a olhar em volta, como se alguém estivesse ali a quem ela pudesse perguntar. Um dia ficou escuro, pensava para si mesmo. – Fiquei presa nesse dia.
© Destak

7 comentários

  • A VELHA ESTÁ SENIL
    A VELHA ESTÁ SENIL | 28.03.2017 | 19.01Hver comentário denunciado
  • Está visto....já ninguém liga à velha.....!!!!
    FROZEN | 28.03.2017 | 15.16Hdenunciar comentário
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  • De repente, borrei-me toda. Tão borrada que até vi estrelas. Andei às apalpadelas pelos corredores imundos. A borrada foi tão grande que até lhe cobriu a alma.Foi coisa que lhe aconteceu vindo do nada. Mas não. Afinal foi o caralho do vizinho de cima que cagou na ventoínha. Lá conseguiu sair de casa e apanhou o metro. Mas o metro também anda todo cagado. É só imundície. Saí da estação e fui apanhar o autocarro. foi quando olhei para o relógio e vi que já era de madrugada. Lá consegui voltar a casa. Quem ligou a televisão ? Quem acendeu a luz da retrete ? Foi a merda do vizinho que escorregou na merda e estatelou-se ao comprido e desceu as escadas aos trambulhões. Os incidentes destes começaram a encher-lhe os cornos e fica quietinha, em silêncio e a pensar. E ao olhar em volta, a tentar perguntar a alguém se sabia se a merda já tinha sido limpa. Um dia ficou escuro. E também ficou para esquecer - Fiquei presa na merda - nesse dia. (in a Cidade e a Merda)
    GILLETT | 22.03.2017 | 20.08Hdenunciar comentário
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  • De repente, ficou sem tesao. Como noite sem putas. Casa sem paneleiros. Como foda sem sentido. De repente, ficou sem tesao e a pissa dentro dela perdeu a forca, como quem perde o tesao e nao se vem. De repente, assim de repente, percebeu que estava sem Viagra e só se tinha apercebido até àquele momento. Que se estendesse a mão e agarrasse a pissa haveria outra mão do lado de lá, outro punheteiro, um cu aberto ou simplesmente um broche doce e um chuveirinho de um velho, tão afável e cómodo como a sua pissa preferida. Foi coisa que lhe aconteceu, uma foda vinda do nada. Num qualquer dia normal no meio da rotina normal de quem tem uma foda sem história. Igual a tantas outras fodas. Mas foi uma falta de tesao tão grande que lhe cobriu a cona, o cu, e veio-se todo no espaço da sala pequena onde estava sentada a foder a canzana, que pareceu-lhe a pissa iria cair por terra com tanto peso. Mas não. Os colhoes continuaram, uns a seguir aos outros. As mesmas punhetas. As mesmas fodas. Os mesmos viagras. Os mesmos punheteiros a punhetarem na cidade. Apanha no autocarro. Apanha no metro. Apanha nas escadas. Apanha à mesa do guiché. E depois, volta a casa com a cona assada de tanto apanhar e o cu mais aberto que o tunel do marques, todo o caminho ela anda ao contrário, como quem roda os ponteiros do relógio em sentiir o cu. Porque efetivamente levou demasiada enrabadela. Estave uns dias sem se poder sentar, r durante umas horas nem a cona senia, foram precisos uns 5 minutos e uns 20 segundos para a velha se recompor. E com tanta dor no cu não via nada, nem tinha reaccao alguma, era porque tinha realmente a cona e o cu todos fodidos. Talvez uma foda acordada. Talvez. Mas quem pinou a beira da televisão? Quem fodeu a luz da cozinha? Quem colocou os colhoes do lado de fora da porta? Punheteiros destes começaram a encher-lhe a boca de esporra todos os dias e ficava gorda a olhar em volta, como se alguém estivesse ali a quem ela pudesse perguntar como esvaziar a boca. Um dia ficou sem tesao, pensava para si mesmo. – Fiquei sem viagra nesse dia.
    anticristo | 22.03.2017 | 17.36Hdenunciar comentário
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  • Uma pergunta? A gaja pagou a conta da luz? E que o amigo mexia nao perdoa...
    ines | 22.03.2017 | 17.21Hdenunciar comentário
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  • Desde que o PSD deixou de ser governo, ela foi-se muito abaixo. É a vida...
    anónimo | 21.03.2017 | 09.49Hdenunciar comentário
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  • Está visto que . . . ! A "malguinha" está . . . ! Sem "pilhas" . . . ! Ó Luisinha, por favor . . . ! Compre um painel solar . . . ! Ou uma lanterna . . . ! Numa loja de chineses . . . ! Senão anda aos encontrões . . . ! Contra a mobília lá de casa . . . ! ! !
    Alexandre Barreira | 21.03.2017 | 06.28Hdenunciar comentário
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