COLUNA VERTICAL

"Caro(a) José..."

04 | 04 | 2017   23.08H
José Luís Seixas
Em resposta a um pedido de cancelamento e inscrição numa dessas grandes superfícies de "fitness", recebi um email em que me tratavam por "caro(a)". Esclareci na volta que, sendo homem antigo, no meu tempo este tratamento se destinava apenas a conhecidos próximos. Concluindo que se tratava de uma questão de educação cívica, a qual, como é bom de ver, está em manifesto desuso. Um novo email da mesma entidade e uma inovação: em vez do "Caro(a)", emergiu um "Bom dia José"... Ora, não conheço a subscritora de sitio nenhum. A que propósito me trata pelo nome próprio? Que intimidade relacional é esta? Será que a menina não aprendeu na escola ou em casa que os mais velhos merecem ser tratados por Senhor ou Senhora? E pelo apelido e não pelo primeiro nome? Isto é um vício recorrente dos call center que, utilizando os nossos números de telemóvel, de casa ou endereços de correio electrónico, com manifesto abuso que ninguém persegue, assumem estas intimidades que me irritam! Assim, desejaria que, em primeiro lugar, me deixassem em paz e não ousassem fazer-me passar por parvo, pretendendo impingir-me oralmente produtos sem que possa ver, preto no branco, em letra impressa, os respectivos termos e condições. Depois que respeitassem a minha dignidade de cidadão designando-me por "Senhor" antecedendo o apelido. Ou que não me tratassem por nada. Agora "Caro(a)", como se fosse amigo e de sexo indefinido? Ou José? Já agora prefiro o prosaico "fulano"! Peço desculpa do desabafo, mas chateia-me que alguém que nunca vi ache normal o "você", o José ou o Caro(a). Sei que a culpa não é dos pobres operadores que, miseravelmente pagos, ainda se sujeitam a feitios mais destemperados como o meu. Mas é de quem os forma e, antes de tudo, da escola que não ensina regras mínimas de convivência cívica. “Caro(a)”, “José”, “Você”... O raio que os parta! O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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