HORA BOLAS

Fogo mau

09 | 04 | 2017   23.17H
João Malheiro
Foi Londres, foi Estocolmo. Foi noutras paragens, vai ser noutras latitudes. O abjecto terrorismo não estanca, antes cresce. Cresce também a indignação, só que não emerge a solução. Os Estados Unidos, no desempenho da velha pretensão hegemónica, lançam bombas à revelia dos acordos internacionais, inflamando mais ainda o teatro do conflito. Trump fala na defesa de “lindos bebés” e de “filhos de Deus” com o cinismo próprio dos déspotas. Os aliados resignam-se ou apoiam entusiasticamente, caso da Arábia Saudita, quiçá o mais retrógrado país do planeta, mas sempre submisso às alarvarias do imperialismo norte-americano. O regime sírio comete atentados reprováveis e chocantes aos direitos humanos? Sem controvérsia. Através do diálogo, no concerto das nações, poderiam ser dados passos para a contrição dos dirigentes daquele país do Médio Oriente. Diálogo? Sansões? Bombas, mais bombas, sempre bombas. Bombardeamentos cirúrgicos? Acaso as bombas possuem inteligência? Acaso as bombas possuem olhos? É que também assassinam “lindos bebés” e “filhos de Deus”. Cada bomba com carimbo Trump constitui mais um motivo para a represália. Perpetrada por extremistas islâmicos, à margem achacosa das mais elementares condutas de cidadania e de sã convivência. A escalada prossegue, adivinham-se novos e não menos inopináveis conflitos. No Ocidente, ninguém percebeu ou finge-se ignorar o dossiê Iraque. No universo árabe, avoluma-se e saúda-se um fundamentalismo ascoso. A bola de fogo rola a um ritmo acelerado, prenunciando uma catástrofe. Os dirigentes políticos já demonstraram inabilidade. Tendencialmente, o problema recrudesce. Só a opinião pública internacional pode estancar a hemorragia maléfica. Pior é que cidadãos da aldeia global parecem mais preocupados com excrescências do que com essências.
© Destak
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