COLUNA VERTICAL

Ninguém é parvo!

11 | 04 | 2017   23.06H
José Luís Seixas
O pretendido desforço nacional relativamente às afirmações vexatórias que há semanas foram proferidas pelo Presidente do Eurogrupo e Ministro das Finanças holandês teve o seu apogeu no final da semana passada. Em abordagem convenientemente coberta pelas televisões portuguesas, o Secretário de Estado Félix Mourinho empertigou-se e fez frente ao “energúmeno” dos Países-Baixos. O meio foi inédito, surpreendente e, confessa-se, comovente. O governante português, em vez de desembainhar a espada, estendeu-lhe a mão. Em vez de usar escudo, empastelou-se de gel capilar. Em vez de o sovar sem dó nem piedade, manteve a mãozada, sussurrando à incontinente individualidade como seria bom um pedido de desculpas aos pretensos indolentes, bebedolas e mulherengos sulistas. O “algoz” ripostou, aguentando o cumprimento do ofendido português, olhando-o de cima – privilégio de quem é alto –, com esgar de comprazimento – privilégio de quem dialoga com um jovem e pretensioso subalterno –, esmagando-o com estocada final e inapelável – privilégio dos sobranceiros que são molestados por aprendizes. Estas imagens são tão indecorosas para o orgulho nacional que nenhuma das televisões portuguesas que se viram envolvidas neste embuste as deveria exibir. Foi mau o que ouvimos sobre “copos e mulheres”. Foi bem pior a pusilanimidade da reacção formal de um Estado que se assumiu como lesado na sua dignidade e na honra do seu povo. O ridículo protagonizado pelo Secretário de Estado é insuportável. Principalmente (como se percebeu) quando pretendeu ultrapassar o “incómodo” de uma posição de veemente repúdio no plenário da reunião do Eurogrupo adoptada contra o seu presidente de cara aberta, através de uma encenação preparada para estrito e limitado consumo nacional. Por favor, digam a esta gente que ninguém é parvo!
© Destak
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