OPINIÃO

Sem cartilha

16 | 04 | 2017   23.32H
João Malheiro

Benfica e FC Porto, num duelo arrebatante, disputam os últimos palmos da Liga na busca do palmómetro da consagração. Tanto para dizer, tanto para comentar, tantos são os espaços, sobretudo na área audiovisual, dedicados ao futebol. Mas que importam as equipas e as suas copiosas inseparabilidades técnicas, táticas, físicas, mentais ou outras?

Aquilo que importa são questões laterais, essas que fazem o regalo de comentadores, propensos a uma conflitualidade sem contenção, ignorando boa parte da ciência do pontapé, em sucessivos exercícios que conspurcam a modalidade e borram o negócio.

Os incautos assistem e aplaudem, concedendo audiências e promovendo cromos palradores para quem a bola é quase ou mesmo quadrada e pouco menos do que potenciadora durativa de pirotecnia verbal.

Fui, perdoe-se a imodéstia, o primeiro director de comunicação em Portugal. A designação estava virgem, nessa altura, corria 2000, em que Manuel Vilarinho e eu próprio nos decidimos pelo batismo das minhas funções ulteriores.

Tratou-se de um qualificativo que vingou no espetro futebolístico e noutras áreas da sociedade. No panorama actual, é de cartilha que se fala, da cartilha do Benfica. Concordo com a sua existência no fito de uniformizar os discursos e municiar bons ou pseudoescoliastas.

Fazem-no as grandes e organizadas instituições opinativas, desde logo os partidos políticos, sendo que os escritos são para consumo interno, embargando parte da linguagem na mensagem institucional.

Só não entendo a razão pela qual o Benfica persiste em nada assumir, abrindo campo para a vileza e a humilhação.

E também não entendo a razão pela qual eu nunca recebi a tão propalada cartilha. A direcção de informação tem-se esquecido, eu jamais me esqueço do amor ao Benfica.

Mais ainda ao futebol. Mais ainda à bola.

© Destak
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