OPINIÃO

As questões demográficas e o poder local

18 | 04 | 2017   22.36H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)

Com o lançamento do boletim Norte Estrutura, Edição Primavera, da autoria do Gabinete de Estudos e Avaliação de Políticas Regionais da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), podemos confirmar o que já suspeitávamos: o Norte é a região portuguesa onde o índice de envelhecimento mais se tem agravado.

As estatísticas mostram que há dois indicadores negativos, o saldo migratório e o saldo natural. Assim sendo, estamos perante uma grave problemática demográfica que os municípios têm de reconhecer como relevante, ajustando políticas assertivas como forma de minimizar o problema.

Em diálogo com as estruturas do governo central, aos municípios compete, perante este triste panorama demográfico, criar todas as condições que intervenham nos fatores que estão na base da emigração e da quebra da natalidade.

Precisamos de boas escolas, de uma saúde de qualidade, de igualdade salarial para homens e mulheres, de emprego, de tomar medidas de apoio aos mais velhos e garantir políticas de envelhecimento ativo, precisamos de apoiar as famílias.

Se antes não detinha estas competências, hoje o poder local pode ser protagonista no desenho da realidade socioeconómica das comunidades.

Não podemos esconder as nossas cabeças na areia e esperar que os problemas desapareçam. Acredito que o poder local pode gerir cidades contemporâneas onde haja qualidade de vida, trabalho e fortes incentivos à natalidade, de modo a conseguirmos um desejado rejuvenescimento demográfico.

Nas cidades está o poder do futuro. Os municípios têm, de facto, algo a dizer. As políticas de cidade contribuem, neste caso, para o desagravamento do problema demográfico, porque atuam na melhoria de qualidade de vida das pessoas.

E é precisamente isso que temos de continuar a fazer, cada vez melhor.

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