HORA BOLAS

Não é treta

26 | 04 | 2017   22.57H
João Malheiro
O Simões cabe, uma ou duas vezes por semana, na minha mesa de almoço. Cabe e cabe bem para meu privilégio. O Eusébio também cabia. Cabia e cabia bem para meu deleite. E o Coluna mais o seu baixinho, mas injuntivo, “miúdo, no meu tempo, a camisola era sagrada”. Simões, Eusébio, Coluna, ainda Águas, José Augusto, Ângelo e tantos outros. A uma geração que alavancou o Benfica para o crisma internacional, no tempo da piranguice fascista, faltou um tetra doméstico. Um tetra? Também um penta, até um hexa, mesmo um hepta. Muita valia reunida e o objetivo, teimosamente, sempre escapou. Tal como na geração de Humberto Coelho, de Toni, de Nené, de Bento, de Shéu, de diversos mensageiros admiráveis da causa vermelha, na transição rumorosa e linda da ditadura para a democracia. E agora? Não, não é treta. O empate em Alvalade, penoso para o anfitrião Sporting e não menos para o seu aliado emocional FC Porto, abre as portas do tetra a quatro rondas do termo das hostilidades competitivas. Não foi um triunfo? Mas foi uma bofetada no coro dos maldizentes, sempre propensos a descortejarem a luz da Luz. Não houve um penálti contra o Benfica? E não houve, por assinalar, castigos máximos a favor do Benfica? Ao colinho da superioridade, o Benfica mostrou que só vergam os fracos, que só vergam os inábeis, que só vergam os incompetentes. O dérbi provou quão determinada está a esquadra rubra, perante um adversário que se propôs disputar o jogo da época, ademais com inusitado apoio azul. O dérbi provou quão determinada está a esquadra vermelha em grafar um capítulo histórico. Decerto, o Simões rejubilou como poderiam rejubilar o Eusébio e o Coluna. Treta? Não, não é treta. Num percurso centenário, é mesmo tetra. É assim que se decreta o ambicionado tetra.
© Destak
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