OPINIÃO

Honrar e preservar o legado de Abril

26 | 04 | 2017   22.58H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)
A memória da ditadura e das conquistas extraordinárias do Portugal democrático é, por vezes – vezes de mais –, esquecida. Ao fim de 43 anos, a censura, a tortura, a guerra colonial distanciam-se para o seu lugar na História. Muitos dos portugueses nasceram depois da revolução de 1974. Felizmente para eles, e para todos nós, encontraram um país que foi capaz de criar um Serviço Nacional de Saúde, uma Escola Pública que oferece a todos as mesmas oportunidades. Um país em que todos podemos votar e participar ativamente, e em liberdade, na definição do nosso futuro. A democracia portuguesa, por mais defeitos que lhe apontemos, é incomparavelmente melhor do que a longa ditadura que nos atrofiou economicamente, nos isolou do mundo e nos confinou ao subdesenvolvimento social. Esta afirmação parece evidente, mas, infelizmente, cresce o número daqueles em que renasce a saudade do antigamente, abrindo portas aos populismos e ameaçando a própria ordem democrática. Podemos achar que a educação, a justiça ou o ensino não são ainda suficientemente bons... Na verdade, é nosso dever de cidadania sermos exigentes. Porém, é inegável que temos, hoje, serviços públicos inimagináveis até 1974. E temos a liberdade de recorrer à justiça se alguém nos perseguir ou se os nossos direitos forem ameaçados. Em Portugal, vivemos num Estado de Direito, em liberdade. Os que sofreram na pele o peso da ditadura merecem que sejamos responsáveis e empenhados na defesa da nossa democracia. Através da participação cívica, do voto, da solidariedade, podemos fazê-lo. É esse o legado de Abril, que no seu momento mais puro se personificou na generosidade e na coragem de Salgueiro Maia, que celebramos no dia 25. É esse o legado que recebemos e devemos preservar.
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