OPINIÃO

É preciso morrer mais alguém?

26 | 04 | 2017   22.59H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
Vamos lá colocar isto de forma a que se perceba o ridículo da coisa. No sábado morreu uma pessoa. Atropelada. Supostamente por causa de futebol. Futebol, sim. Aquilo que deveria servir para nos dar alegrias, nos fazer pensar em outras coisas que não a chatice das nossas vidas. O futebol, cujo objetivo primordial é dar aos adeptos motivos para apreciarem grandes jogadas, grandes golos, os grandes atletas, as grandes histórias. É claro que todos estes, digamos, valores, vão ao charco quando o nacional dirigismo é o que é. De forma mais ou menos pública, nos bastidores ou de maneira mais exposta, com ou sem cartilhas, em blogues ou em jornais, a escalada de ódio no discurso dos responsáveis pelos três grandes é gasolina para legitimar a violência das palavras, que se vê todas as semanas em alguns programas de "comentário" futebolístico - comentário entre aspas porque é raro ali ouvir falar de futebol -, ou dos actos, que culminou com a morte de um adepto no sábado, atropelado e deixado sozinho na estrada. E nem no próprio dia da desgraça, os presidentes se coibiram de enviar recados, acusações, indirectas. É preciso morrer mais alguém? Ao contrario do que eu temia, o Sporting-Benfica acabou por decorrer sem problemas de maior, mas daqui até final do campeonato ainda muito pode acontecer. E às vezes sinto que isto só lá vai tratando os dirigentes como crianças pequenas: ou seja, com intervenção do estado. O que, mais que descanso, causa-me um enorme sentimento de vergonha alheia. É o futebol que temos.
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