HORA BOLAS

Os três pastorinhos

01 | 05 | 2017   23.31H
João Malheiro
Nem foi preciso pedir socorro à memória, também não foi preciso ajuda alheia, menos preciso ainda foi consultar notícias, apontamentos ou até cartilhas. As ocorrências são do domínio público, mancharam de vergonha o futebol nacional, inquinando a competição e gafando a postura desportiva. Houve quem pretendesse garantir presidências e maiorias nos Conselhos de Disciplina e de Arbitragem. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem oferecesse prazeres lascivos a vários agentes desportivos. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem contactasse árbitros na semana ou mesmo na véspera de certos jogos. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem garantisse promoções a vários ativos do apito por troca de finezas. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem colocasse treinadores, procurando uma espécie de satelitização das equipas nas quais os seus protegidos exerceram funções. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem oferecesse avultadas maquias a jogadores com o intuito de condicionar resultados. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem ameaçasse outros grémios com despromoções, sempre que desalinhassem dos arranjos. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem adulterasse a transparência nos controlos antidopagem. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem agredisse e condicionasse jornalistas tidos por incómodos. Não, nada tem a ver com o clube deles. Houve quem dirigisse uma rede de profissionais amigos para forjarem notícias. Não, nada tem a ver com o clube deles. Mas eles, há dias, num espaço TV, travestiram-se. Eram virgens asseteadas, diabolizando um adversário que lhes provoca repugnância. Não, não me engano. Aqueles três pastorinhos, na iminência da falésia, eram a amnésia de uma nova (?) eclésia.
© Destak
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