HORA BOLAS

Penta ou peta

14 | 05 | 2017   23.38H
João Malheiro
O campeão voltou, ouviu-se na Luz, com os adeptos em brasa. Voltou? Até não voltou, antes continuou, somando a quarta vitória sucessiva, registo inédito no palmarés vermelho. Não voltou mesmo? Até voltou, garantindo um triunfo sobre o Vitória de Guimarães, assente na mais categórica exibição de toda uma temporada. O triunfo do Benfica, escassos dias depois do reatamento caricato das relações institucionais do FC Porto e do Sporting, não pode ser beliscado na sua justeza. Houve sempre Benfica, quando não houve, por vezes, Sporting e FC Porto. Foi um Benfica, por vezes, menos soberano? E não foram um FC Porto e um Sporting, por vezes, mais debilitados? No Benfica passou a existir uma cultura de vitória, é com naturalidade que se corteja o sucesso, são muitos os campeões nas fileiras rubras. No FC Porto? Apenas o ex-benfiquista Máxi Pereira e, noutra paragem, Iker Casillas. No Sporting? Nenhuma amostra para o efeito. Luís Filipe Vieira, a outro ou também esse respeito, fala em dez anos de avanço. Dir-se-á que o Benfica tem cerca de dez jogadores de avanço. Na assunção de experiência, de atitude, de mística. Na atmosfera e na matéria. Na esfera e na féria. Mais, bem mais do que se consorciarem, FC Porto e Sporting carecem de outras dinâmicas próprias. As palavras não valem golos, os golos é que valem palavras. Os títulos também não se ganham por decreto, ainda que FC Porto e Sporting estejam, desde há dias, em sintonia na reivindicação de uma nova atribuição de honrarias, várias décadas depois, numa prova sublinhada de agonia perante a vertigem ganhadora do maior rival. O Benfica festeja o avanço, o FC Porto fareja o arcaico, o Sporting forceja o acerto. E se já se havia prognosticado que o tetra não era treta, o penta pode não ser peta.
© Destak
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