OPINIÃO

Limpa e livre

24 | 05 | 2017   23.00H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Esta semana, a Comissão Europeia recomendou que Portugal saia do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). O défice de 2% em 2016 e as perspectivas de défices inferiores a 3% nos próximos anos não deixaram margem de manobra à Comissão Europeia e fizeram-nos conquistar o direito a esta saída. Este PDE tinha sido iniciado há 8 anos e passou por vários Governos. Esta recomendação não se deveu a nenhum favor da Comissão Europeia nem a nenhuma concessão do nosso país a mais políticas de austeridade ou mais medidas de redução de despesa. Esta saída provou que podemos ter dignidade e respeito a nível europeu, políticas alternativas às que nos sugeriram e respeitar as regras europeias. Foi uma grande vitória do atual Governo e uma esperança a nível europeu no sucesso da alternativa ao caminho da austeridade. Foi possível conjugar aumento de salário mínimo, reposição de rendimentos, respeito constitucional, reposição de direitos, preservação do Estado Social com crescimento económico, criação de emprego e o défice mais baixo da nossa democracia. Foi possível quebrar o ciclo de empobrecimento e gerar confiança. Foi possível afirmar o nosso direito sem vassalagem a Schauble, chegando a pedir a demissão de Dijsselbloem, e sem nos sentirmos diminuídos na nossa voz ou na nossa afirmação. Foi possível sair deste PDE sem esconder problemas na banca nacional, sem empurrar decisões difíceis para futuros Governos e assumindo os desafios que temos pela frente sabendo que os tratados europeus continuarão "estúpidos" e pouco flexíveis. Bem pode vir agora a direita nacional e europeia tentar colar-se a esta saída, chamar a Centeno o Ronaldo do Ecofin, que é indisfarçável o seu incómodo, que é impossível esquecer a sua discordância com este caminho. Esta sim, foi uma saída limpa que reforçou a nossa autonomia e liberdade.
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