OPINIÃO

Sem Espírito Santo que alumie

24 | 05 | 2017   23.01H
Lídia Paralta | destak@destak.pt
A paupérrima imagem deixada pelo FC Porto no epílogo do campeonato, em casa do Moreirense, foi a gota de água que faltava cair para se consumar aquilo que já há semanas se sussurrava: o fim do casamento entre FC Porto e Nuno Espírito Santo. Nuno, o quarto treinador a sair sem títulos no mesmo número de anos, num clube muito pouco habituado a tamanha seca. Nuno nunca foi escolha unânime: apesar do seu apregoado portismo, a confusão que foi a sua passagem pelo Valencia e a ligação a Jorge Mendes deixou muito boa gente de testa frisada. Um ano depois, sai pela porta pequena, sem deixar grandes saudades. Nuno nunca cativou por completo: as constantes mudanças táticas da equipa ou a forma de comunicar, digamos, pouco clara (e com isto lembro-me dos rabiscos ou da famosa “fortaleza”), nunca deixaram os adeptos descansados e quantidade de vezes que a equipa desperdiçou as oferendas do Benfica para chegar ao topo da Liga (nomeadamente com as escorregadelas frente ao V. Setúbal e Feirense) davam conta de um plantel pouco confiante e pouco experiente mas ao qual, diga-se, não faltava qualidade. É claro que o treinador não é o único culpado: quatro anos de insucesso dificilmente têm apenas uma cara. Há muito que o FC Porto deixou, por exemplo, de ser a incrível máquina caça talentos que permitiu aos dragões encher os cofres com muitos milhões no início desta década. Herrera não é James, Corona não é Hulk e, mais gritante ainda, Depoitre está a anos-luz de Falcão ou Jackson. E, naturalmente, não há treinador que possa combater isso.
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