HORA BOLAS

O benefício do jejum

28 | 05 | 2017   23.35H
João Malheiro

A opção foi Cuba, quando estávamos a meses de assistir à despedida do século XXI. Esse final de abril como que anunciava uma das últimas míticas aparições de Fidel Castro, na Praça da Revolução, a pretexto do Dia Mundial do Trabalhador. Em Havana, brisa cálida e som melódico, vislumbrei um nativo com a camisola do FC Porto. A curiosidade venceu-me e questionei-o. “Não sei o que é, foi um hóspede do hotel que me deu”.

Poderia, sectariamente, ter sopeteado. Até porque, sectariamente, ocorreu-me o Benfica. Ainda assim, não sectariamente, expliquei qual o significado da camisola em apreço e até penso, ainda menos sectariamente, ter sido elucidativo. Também é verdade que Cuba não era e não é um país com grande aptitude para a doutrina do futebol.

Na nova aldeia globalizada, tudo está à distância de um mero clique. Razão tem o Benfica, mais a manifesta lisonja suscitada por Madonna e os seus gabos vermelhos, cujos ecos fizeram múltiplos ricochetes noutras tantas extensões. Já quase para gasto caseiro, ainda que nada menosprezável, razão teve o FC Porto, ao assinalar, com despesa institucional, o 30º aniversário do seu primeiro título europeu.

Por que está em dieta de títulos? Provável. E se o refiro é porque, na passagem da primeira década (27/5/97), de forma oficial, nada fez. Fui eu, perfilhando outra afeição clubista, quem juntou Madjer, Futre, Gomes, André, Sousa, Inácio, Celso, João Pinto, Mlynarczyk, Artur Jorge, tantos outros obreiros do feito histórico e da rugidora saliência.

Tratou-se de uma cerimónia particular, em Vila do Conde, ainda que com acórdão mediático. Por isso, pouco mais tarde, haveria de dizer Jaime Magalhães que “foi preciso um benfiquista lembrar-se”. Ajunto, sem modéstia, tratar-se de uma pessoa com cultura desportiva e bola sempre cativa.

© Destak
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