HORA BOLAS

Conceição e pressão

04 | 06 | 2017   22.49H
João Malheiro
O Kelvin marcou e o FC Porto ganhou. Já foi há quatro anos nessa Liga extravagante. Extravagante e cortante. Com azul flamante e com vermelho frustrante. O herói Kelvin, herói improvável, escreveu história, mas só ficou na memória, não repetiu oratória de glória. O que se seguiu? Um FC Porto desordenado, baralhado, até humilhado. Um FC Porto incompetente no carrocel de treinadores, no tropel de responsáveis, no plantel de jogadores. Quatro anos sem pôr a mão na prateleira do êxito é uma eternidade. Quatro anos de consagração benfiquista é uma calamidade. O FC Porto, nas últimas décadas, fez da apoteose um culto. Perdedor, não há indulto, há tumulto. E há insulto. É a perseguição, é a retaliação, é a centralização. É o túnel, é o colinho, é a culpa, é o Salazar. É o castigo, é a provocação, é o ultraje, é o rufar. Rufar e zumbar. São juízes que são aprendizes. São grandes penalidades que são adversidades. São expulsões ou não exclusões que são manipulações. São golos que são dolos. Tudo está inquinado, tudo está viciado, tudo está conspurcado. O FC Porto não vence no pontapé, mas vence no banzé. Não faz autocrítica, mas faz hipercrítica. O Sporting, até porque terceiro, alinha como parceiro. Qual é a solução? Falhado Marco Silva, é Sérgio Conceição. Treinador competente, mas não experiente. Treinador ambicioso, mas não famoso. Treinador determinado, mas não consagrado. Depois de Paulo Fonseca, depois de Lopetegui, depois de Nuno Espírito Santo, outro não campeão no palco do Dragão. Sustenta-se que Sérgio Conceição é portador da mística. Da mística? Só que é também alvo da balística. Sérgio Conceição, escrutinado como nenhum outro, desde o dia da investidura, vai sofrer inusitada pressão. Na pespetiva de um penta rubro, a tensão aumenta e o FC Porto não aguenta.
© Destak
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