COLUNA VERTICAL

Um homem com sorte!

06 | 06 | 2017   22.11H
José Luís Seixas
O Dr. Costa é um homem com sorte. Embora não se ignore que a sorte também se constrói. Os últimos indicadores – que já aqui qualificamos de conjunturais – dão-lhe gás e criam esperança. Fátua, possivelmente. Mas sentida no presente. E no tempo que vivemos o que interessa é só este “agora”, tamanha a incerteza que ensombra todas as expectativas de futuro. Evidentemente que quem percorrer os acidentados corredores da Administração denota todas as insuficiências, as muitas falhas e as maiores bizarrias. Desde tribunais com fotocopiadoras infuncionais por falta de toner, a hospitais com carências dramáticas, aos atrasos e protelamentos dos pagamentos dos subsídios e dos fornecimentos de bens e serviços, ao desnorte da AT com notificações insólitas, a um infinito etc. As célebres cativações prosseguem a bom ritmo, o que permite preservar a ideia da contingentação da despesa apesar das hordas de pessoal político que persistem em enxamear tudo o que é público nessa ancestral tradição do compadrio e do clientelismo que se agarrou ao Estado e às Câmaras desde há muito como peçonha que vai minando o sistema e a credibilidade dos partidos. Tudo isto são considerações quase que mesquinhas tamanha a onda de entusiasmo que submerge o pessimismo persistente e idiossincrático de alguns. Até estes prolegómenos de uma nova Europa renascida dos erros passados, autonomizada dos Estados Unidos, continental e de velocidade única, com laivos de solidariedade unificadora prenunciada por Mácron e Merkel em tempos eleitorais, cai bem no regaço do Dr. Costa. Domesticada a rua, controlados (por ora) os seus aliados de esquerda, adormecida a oposição, silente a comunicação social, o que mais poderia ambicionar? O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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