HORA BOLAS

Escalada desbocada

19 | 06 | 2017   00.45H
João Malheiro
O que pode fazer a bola desancada, enlameada, espancada? Pouco, muito pouco, num país de contradições, de incriminações, de transgressões. Portugal é campeão da Europa, Ronaldo é o melhor do planeta, outras honrarias deveriam concorrer para a exaltação da bola nacional, desprezando declarações incendiárias, ainda que com ampla cobertura jornalística, causadoras de diarreias verbais a coberto da mais anómala clubite. “Afirma com energia o disparate que quiseres e acabarás por encontrar quem acredite em ti”. Até parece que Virgílio Ferreira se referia à paranóia que se instalou nos corredores mediáticos da bola, interpretada por agentes da intriga e responsáveis primeiros por uma intolerância e por uma crispação insuportáveis, passíveis de resultarem numa tragédia de grandes dimensões. O Marques, do FC Porto, proclama corrupção benfiquista, como se o Direito fosse uma pastilha elástica com sabor discricionário. Exibe documentos, a conta gotas, ignorando de forma voluntária o imperativo de se saber como lhe foram parar ao camarim. O Guerra, do Benfica, exorbitando funções e comprometendo o seu clube, propõe que um conjunto de árbitros não apite o FC Porto. No mesmo tom, intima o presidente portista a pedir desculpas ao Benfica. O Saraiva, do Sporting, pede a anulação dos quatro últimos títulos nacionais (que dirá Jorge Jesus?) por alegada fraude. Bruno de Carvalho, líder leonino, não se demarca e anuncia, jocosamente, o envio de e-mails, explicando que futebol triunfante é nos dois sexos sinónimo de Sporting, exceção única para o escalão sénior masculino. Louve-se o silêncio de Luís Filipe Vieira neste alvoroço pirotécnico e apostem-se as fichas todas na iminente declaração pública do seu congénere azul. Enquanto isso, não contaminada, na Rússia rola a bola.
© Destak
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