OPINIÃO

O luto e o respeito pelas vítimas

21 | 06 | 2017   00.52H
Eduardo Vítor Rodrigues (Presidente da Câmara de V. N. Gaia)
Portugal viveu uma das suas piores tragédias de sempre há menos de uma semana. Nestas alturas, infelizmente, rapidamente se levantam vozes de condenação, de procura de rápido castigo para eventuais responsáveis. Há menos de uma semana foram ceifadas as vidas de famílias inteiras, umas voltando de um dia de passeio, outras tentando fugir a um inferno de fogo que, sem dó nem piedade, se abateu sobre Pedrógão Grande. Ninguém imagina, ninguém merece o sofrimento por que passaram estas pessoas ou aquele que sentem as que cá ficaram, com a família destruída, com a sua aldeia quase sem gente, com as casas e os terrenos chacinados. Respeitar o luto e o sofrimento não significa esquecer que tudo terá de ser pensado, planeado e feito para que Portugal não volte a viver semelhante desgraça. E, é claro para todos, há muito para fazer. Responsabilidades para apurar. Mas há um tempo para tudo, e este momento tem de ser de luto e de respeito. De solidariedade por quem fica e precisa tanto de ajuda. Nós, que vivemos no reboliço das grandes cidades, quase esquecidos da vida do campo, das aflições que tantas vezes as suas populações vivem, temos a obrigação de ajudar. Com bens, com donativos, com o que for preciso. E respeitar, também, o gigante contributo que nos dão, todos os dias, homens que não hesitam em arriscar a própria vida pelos outros. Como aconteceu em Pedrógão Grande, como acontece hoje em Góis, como todos os anos em todo o país. Enquanto escrevo estas linhas, os bombeiros lá continuam, até ao limite das suas forças, a combater a fúria das chamas e a tentar proteger as pessoas e as suas casas. A Câmara de Gaia está em articulação com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, colocando ao dispor todos os meios operacionais que sejam solicitados. Mas todos podemos e devemos fazer mais.
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