OPINIÃO

Luto nacional

21 | 06 | 2017   23.01H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
É impossível ficarmos indiferentes ao trágico acidente de Pedrogão Grande e é inevitável sentirmos que o drama vivido na estrada nacional 236-I podia ter acontecido a qualquer um de nós ou a nossos familiares. Este incêndio, que provocou 64 mortos e 204 feridos, é uma das maiores tragédias nacionais das últimas décadas. Muito do que foi sendo divulgado leva-nos a crer que se reuniram um conjunto de fatores que foram letais – as condições climatéricas sentidas, trovoada seca, baixa humidade, ventos fortes com mudanças de sentido e o intenso calor poderão ter tornado imprevisível a direção do fogo e a chegada atempada dos bombeiros. No entanto, precisamos de respostas oficiais das várias entidades responsáveis para podermos avaliar o que verdadeiramente aconteceu. O Primeiro-Ministro esteve bem ao questionar, e tornar público que o fez, a GNR, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e o Instituto Português do Mar e da Atmosfera sobre a tragédia do passado sábado, pedindo esclarecimentos sobre as circunstâncias metrológicas, eventuais falhas ocorridas nos sistemas de informação e o tardio encerramento da EN 236-I. Este violento acontecimento exige que se apure verdadeiramente a sua origem e que se disponibilize toda a informação necessária, além da necessidade de se repensar a estratégia nacional de prevenção e combate aos fogos florestais. Mesmo que as causas deste incêndio correspondam ao que tem vindo a público, começa a ser evidente que o estado em que se encontrava a floresta permitiu que o fogo se propagasse daquela forma. O país deve refletir seriamente se não fará sentido assumirmos os custos da profissionalização dos bombeiros e dos sapadores florestais e garantir outro apoio e outra capacidade de resposta na prevenção da floresta.
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