OPINIÃO

Pelos próximos cem anos

05 | 07 | 2017   23.29H
Duarte Cordeiro (Vice-Presidente da Câmara de Lisboa)
Recentemente o Município de Lisboa tomou uma decisão que marcará a cidade para os próximos cem anos – foi lançado o concurso para a execução do Plano de Drenagem. Este plano dará origem a várias intervenções decisivas, entre as quais relevantes bacias de retenção e dois grandes túneis que serão construídos no subsolo da cidade de Lisboa e custará, nos próximos quatro anos, cerca de 106 milhões de euros (só os túneis de Monsanto a Santa Apolónia e de Chelas ao Beato representam 70 milhões desse investimento). Esta obra é das decisões estratégicas mais importantes que a cidade tomou nas últimas décadas e um reforço enorme para a sua resiliência. O projeto inclui, para além da expectativa de resolver quase 80% de todos os problemas relacionados com inundações e cheias, a utilização dos caudais de água residual para a produção de energia eléctrica, rega de jardins e lavagem das ruas, reforçando, assim, o seu impacto ambiental. Projetos com horizontes de tão longo prazo, que ultrapassam gerações; que representam despesa que não tem visibilidade imediata e que, pelo contrário, o seu sucesso resulta de um funcionamento quase invisível e discreto do que se constrói, são muito raros. Ficará para memória futura que, num momento de recuperação da atividade económica, o Município teve a coragem de desbloquear os recursos necessários para executar o Plano Geral de Drenagem e a audácia de negociar condições junto do Banco Europeu de Investimento para o financiar. Este executivo camarário deliberou, não só o maior concurso público que há memória em democracia na Câmara Municipal de Lisboa, como pode ter orgulho de ter decidido sobre uma obra que perdurará por muitas gerações, melhorando as suas vidas e fazendo esquecer as adversidades vividas no passado com as cheias na cidade.
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