COLUNA VERTICAL

O estado das armas

11 | 07 | 2017   22.49H
José Luís Seixas
Confesso-o desde já: não prestei serviço militar. Tinha 15 anos aquando da Revolução. Como se recordarão os meus contemporâneos, grande parte da nossa geração foi poupada. Não sei se foi bom ou mau para a formação da minha personalidade. Mas pouco interesso no contexto da discussão. O roubo de Tancos pôs a nu uma das maiores debilidades do Estado Português: os meios de preservação da sua soberania. As Forças Armadas vivem a esquizofrenia nacional: por um lado, unidades altamente especializadas e preparadas actuam com reconhecida eficácia em teatros operacionais no contexto das nossas alianças e compromissos internacionais; por outro existe uma gradual diminuição de efectivos, de tal sorte que não tardará termos mais graduados que praças. O desinvestimento provocou tudo isto. Como a desconsideração social da condição militar. Um exemplo: o estatuto remuneratório dos oficiais generais esteve, anos a fio, equiparado ao dos juízes conselheiros. Princípio abandonado sem qualquer justificação a não ser a capacidade reivindicativa de uns e o conformismo de outros. Tancos e outros incidentes recentemente divulgados são graves porque revelam uma realidade por todos conhecida mas que ninguém quis seriamente ver: a insuficiência de meios. De todos os meios. O serviço militar obrigatório ajudaria a modificar esta situação? Claro que sim. Permitiria a muitos jovens conhecer, aprender, percepcionar a realidade militar. E não a rejeitá-la liminarmente como sucede agora. Além de que, bem estruturado, colmataria graves lacunas do sistema educativo na aprendizagem de princípios básicos de convivência, de disciplina, de serviço público, em benefício do futuro dos próprios jovens e do futuro da comunidade. Não é por acaso que esta discussão voltou à tona em França empurrada por Macron e noutros países europeus.
© Destak
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