COLUNA VERTICAL

Os filhos da marca

18 | 07 | 2017   22.25H
José Luís Seixas
Ronaldo é um excelente jogador de futebol que, graças ao seu talento e afincado trabalho, atingiu um patamar de excelência dificilmente repetível na sua actividade profissional. Rodeou-se de uma equipa competente que trabalhou com mestria a sua imagem, soube aproveitar a mediatização do futebol e conseguiu convertê-lo num caso excepcional de popularidade que ultrapassa todas as fronteiras. É, independentemente dos nossos estados de alma, objectivamente, a maior identificação externa do País. O que não abona muito a nosso favor, mas as coisas são o que são e não adianta negá-las. Falamos de Ronaldo futebolista. Como pessoa conhecemos a imagem que nos vendem. Porque Ronaldo e a sua marca confundem-se. Não é suposto destrinçar uma da outra. Ronaldo é a marca e a marca Ronaldo. Realmente, a coisificação da natureza humana é uma das decorrências da perversão dos mercados e da comunicação. Os ídolos constroem-se. Como alguém disse “tudo é marketing”. E muito pouco sobra para a autenticidade. Por isso, os “marketeers” de Ronaldo, perante as indignações sobre as paternidades adquiridas e não concebidas, tentaram corrigir o tiro. E aí está a grande notícia. A vedeta confessa que a sua namorada está grávida. Assim, nem todos os seus filhos provirão de barrigas de aluguer. Nascerá um de acordo com as boas regras da Mãe Natureza. Com progenitora conhecida. Esta crónica é, reconheço, impiedosa. Exagerada, até. Mas num tempo em que tudo o que foge à cartilha da nova “moral” (filha do “direito à diferença” que os modismos converteram em primado) é objecto das mais repulsivas observações e de pulsões censórias inaceitáveis em democracia, apeteceu-me exercer o meu direito a “carregar nas tintas”. E, como se diz na minha terra, nas tintas! O autor escreve segundo a antiga ortografia.
© Destak
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