COLUNA VERTICAL

O sentido de algumas vidas

12 | 09 | 2017   22.52H
José Luís Seixas

“A minha vida é o PS!”, afirmou convicta e galhardamente o Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares na entrevista que concedeu ao semanário Expresso. Não tenho qualquer dúvida da sinceridade do testemunho e da dimensão afectiva que o mesmo comportou. Aliás, confissão idêntica poderia ser proferida por qualquer outro dirigente de qualquer outro partido com passado e carreira semelhantes.

Pedro Nuno Santos e tantos outros “homens de aparelho" que integraram os Governos anteriores têm, realmente, as vidas enclausuradas nos casulos partidários. Nos quais entraram meninos, militando nas suas organizações de juventude, prosseguiram nas estruturas seniores e chegaram ao Parlamento e ao Governo.

As suas vidas são os seus partidos porque nada mais delas fizeram do que seguir uma carreira que os alcandorou a lugares importantes. Os seus mundos são, pois, aquelas estruturas de poder e de influência que lhes alimenta ambições. A ele, como a todos os outros que se comprazem com a as lógicas das estruturas dos partidos.

Ora, esse é o problema. Os portugueses, seguramente, desejariam ser dirigidos por gente com mundo e com vida que ultrapassasse as sedes partidárias ou os areópagos do poder. Que tivessem passado profissional, cultura, independência intelectual e económica. Que fossem livres e não estivessem dependentes das carreiras e dos aparelhos. Que soubessem dizer não e regressar aos seus outros mundos e às suas outras vidas.

Essa é a grande revolução que se esperaria dos partidos, tornando-os sintónicos com o quotidiano das pessoas e não amarras dos seus destinos. A política – basta conhecer as biografias dos grandes lideres – é um exercício de liberdade que só pode ser feita por homens livres. As cangas partidárias representam um ónus pesadíssimo que todos pagamos e que ninguém verdadeiramente deseja.

Caso o Secretário de Estado – e muitos outros Secretários de Estado de outros Governos – afirmassem que as suas vidas são outras que não os partidos a que pertencem, todos, mas todos, ficaríamos mais confiantes no futuro! O autor escreve segundo a antiga ortografia.

© Destak
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